Queimou a largada…

Na opinião de um ex-secretário que conhece como ninguém os números das finanças municipais, o prefeito Sérgio Azevedo simplesmente “queimou a largada” e a consequência disso, dois anos e meio depois se reflete na difícil situação financeira em que se encontra a prefeitura, sem perspectiva de solução neste restante do mandato. Muito pelo contrário, o que está ruim pode piorar ainda mais.

Se o chefe do executivo no início do governo tivesse se comportado menos como servidor e mais como prefeito não estaria passando agora pelo sufoco quando falta dinheiro até mesmo para completar o recurso destinado a folha de pagamento. Na opinião do ex-secretário, o responsável pela Fazenda, que é contador de carreira,conhecia o problema, mas não orientou ou não teve força suficiente para impedir os erros cometidos pelo comando da administração, a começar pelo reajuste de 9,2% no primeiro semestre do primeiro ano da administração.

Era só olhar para trás e analisar o fato de o prefeito anterior ter utilizado os R$ 200 milhões que foram transferidos do DME para cobrir rombo nas despesas de custeio. Se o dinheiro foi para o ralo por incompetência (e até irresponsabilidade) na gestão petista o motivo estava mais do que claro, havia um enorme déficit mensal a ser estancado para o equilíbrio das contas. Sem falar em algumas dívidas que o ex-prefeito empurrou para o seu sucessor, como o não pagamento do IASM e o recolhimento da parte patronal para o INSS.

Ao invés de dar um cavalo de pau na administração, aproveitando o capital politico acumulado na sua eleição, o prefeito continuou com a gastança, na esperança de que poderia reajustar o IPTU fazendo a receita com este imposto crescer de 30 para 80 milhões. Um sonho de verão que não se concretizou, pelo contrário, o vaivém do projeto de reajuste e a confusão no recadastramento resultaram em um imbróglio que até agora mal resolvido.

O que vem pela frente, na opinião do ex-secretário é imprevisível, principalmente quando se tem no comando da Secretaria de Administração uma servidora corporativista que pensa apenas na classe, ao invés dos 170 mil moradores da cidade.

Diz que a redução da jornada de trabalho de oito para seis horas foi uma conquista dos servidores, mas esquece de avaliar que a redução de duas horas representou um servidor a mais para cada três, ou 1/3 dos 6.200 que estão na ativa que a própria secretária afirma ser insuficiente para dar conta do recado.

Lembrando ainda o fato de que a jornada de seis horas é um benefício praticamente exclusivo do regime estatutário, onde o servidor se aposenta com um salário melhor, mas não pode permanecer na ativa após a aposentadoria.

No caso do celetista, regime jurídico que prevalece na prefeitura, é permitido ao servidor se aposentar pelo INSS e continuar trabalhando, recebendo um segundo salário, pago pelo município, até completar 75 anos de idade.

Hoje, a Prefeitura de Poços de Caldas, maior empregadora do sul de Minas, que sempre desfrutou fama de ser boa pagadora está inadimplente com vários fornecedores, prestadores de serviço, proprietários de imóveis alugados, além do IASM e INSS. Não tem sequer Certidão Negativa de Débitos.

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