A nova rodada da pesquisa XP/Ipespe mostra continuidade na trajetória de alta da rejeição ao governo de Jair Bolsonaro. São 48% os que consideram o governo ruim ou péssimo, três pontos percentuais a mais que o levantamento anterior. Desde outubro, quando o movimento de alta se iniciou, a avaliação negativa saltou de 31% para os 48% de agora. Nesse período, os que consideram o governo ótimo ou bom saíram de 39% para 27%. A diferença de 20.3 pontos percentuais entre os que têm avaliação negativa e os que têm avaliação positiva é a maior desde maio do ano passado.

Em direção contrária, no entanto, melhorou a avaliação que os brasileiros fazem da atuação de Bolsonaro para enfrentar o coronavírus – embora permaneça majoritariamente negativa. Caiu de 61% para 58% os que a consideram ruim ou péssima, e passou de 18% para 21% os que dizem avaliá-la como boa ou ótima. Já em relação aos governadores, a avaliação piorou: passou de 23% em fevereiro para 31% os que dizem considerar ruim ou péssima a atuação do governador do próprio estado (essa pergunta não havia sido feita no levantamento do início de março).

Outros indicadores mostram que nunca esteve tão grande o medo que os entrevistados dizem ter sobre a pandemia. São 55% os que dizem estar com muito medo da doença, contra 49% no último levantamento.

Foram realizadas 1.000 entrevistas de abrangência nacional nos dias 29, 30 e 31 de março. A margem de erro máxima é de 3,2 pontos percentuais para o total da amostra.

ELEITORAL

A pesquisa XP/Ipespe mostra que, a cerca de um ano e meio da eleição presidencial de 2022, o ex-presidente Lula e o presidente Jair Bolsonaro permanecem tecnicamente empatados na liderança, mas agora com o petista numericamente à frente. Ele tem 29% das intenções de voto ante 28% de Bolsonaro. Sergio Moro e Ciro Gomes vêm na sequência, com 9% cada. No levantamento anterior, Lula tinha 25%, e Bolsonaro, 27%.

Nas simulações de segundo turno, Lula também está numericamente à frente de Bolsonaro, com 42% a 38% — na pesquisa do início de março, Bolsonaro tinha 41% e Lula, 40%. Em outros cenários testados, o presidente Bolsonaro aparece empatado com Sergio Moro, ambos com 30%, e com Ciro Gomes, ambos com 38%.

NOTAS DAS PERSONALIDADES DA POLÍTICA

Os entrevistados também foram instados a atribuir notas a personalidades da política – a última vez em que esse bloco de perguntas havia sido aplicado foi em setembro de 2020. Os números mostram uma deterioração na imagem de nomes ligados ao governo: a nota média de Bolsonaro passou de 5,1 para 4,1, a de Paulo Guedes de 5,5 para 4,7, e a do vice, General Mourão, de 5,2 para 4,8 – ele passou a ser o integrante do governo mais bem avaliados entre os testados.

Também teve queda significativa o ex-ministro Sergio Moro, que passou de 5,7 para 4,5.

Na outra ponta, o ex-presidente Lula melhorou sua avaliação, de 4,5 para 4,7, e Ciro Gomes se manteve estável, com 4,3. Outros nomes apontados como presidenciáveis, João Doria (4,1 em setembro para 4,0 agora) e Luciano Huck (4,4 para 4,2) sofreram impacto negativo, mas reduzido.