Nesta segunda-feira, 18, um texto publicado na ‘Opinião do Globo’ também foi favorável a legalização da atividade apontando que essa seria a saída ‘mais sensata’ para o país. Confira a matéria completa a seguir!

No mês passado, o presidente da Câmara, Arthur Lira (PP-AL), criou um grupo de trabalho para analisar o PL442/91, que estabelece o Marco Regulatório dos Jogos no Brasil. O objetivo é atualizar a proposta, aprovada numa comissão especial há cinco anos, sem ter ido a plenário até hoje. A demora não é casual, mas fruto de pressões de bancadas religiosas. A simples formação do grupo de trabalho desperta reações apaixonadas sobre um assunto que precisa ser encarado com racionalidade, especialmente tratando-se de um Estado laico.

Os jogos de azar foram proibidos no Brasil em 30 de abril de 1946, no governo de Eurico Gaspar Dutra. As justificativas dadas à época sugerem que a decisão foi tomada mais por razões religiosas, ideológicas e de costumes que por motivos racionais. Em sete décadas e meia, jogos nunca saíram de cena, apenas se esconderam atrás das cortinas.

Alguém realmente acredita que não há jogatina no Brasil? Basta uma saida pelas ruas do Rio para deparar com apontadores do jogo do bicho e nem fazem cerimônia em seus pontos nas imediações de delegacias. As roletas clandestinas giram como nunca. Máquinas caça-níqueis fazem a ad foras da lei. E o avanço digital permite que apostas sejam feitas de qualquer lugar, inclusive do Brasil, longe do alcance do Estado —e sem pagar impostos.

Em artigo no GLOBO, os deputados João Bacelar (Podemos-BA) e Felipe Carreras (PSB-PE), que integram o grupo de trabalho da Câmara, afirmam que o jogo ilegal no Brasil movimenta mais de R$ 27 bilhões por ano, superando em quase 60% os oficiais, que geram R$ 17,1 bilhões. “O debate é essencial para amadurecer e criar uma legislação que permita aos cidadãos exercer seu desejo de jogar, mas sob os olhos atentos do Estado, com regras claramente definidas e efetivamente aplicadas” dizem os parlamentares.