Júlio de Freitas (DEM) vice-prefeito

 

A partir desta semana, às segundas-feiras, o blog estará publicando entrevistas com personalidades da politica local. Começamos hoje com o vice-prefeito Júlio de Feitas, do Democratas, também conhecido como “Tio Júlio”. A jornalista Neusa Reis ficará encarregada de formular as perguntas e ouvir os entrevistados.

– Pelas suas declarações a política não estava no seu projeto de vida antes de ser convidado e se eleger vice-prefeito. Passados mais de 7 meses da gestão, como você encara hoje a missão de administrar a cidade?

Tem sido incrível pelo desafio. Eu já sabia das dificuldades que poderia enfrentar, mas no meio disso você pegar um contexto pandêmico com a crise, com os aumentos de casos que a gente chegou neste ano, isso foi desafiador. Nessa hora é preciso um controle emocional, uma visão do que você quer, uma clareza de objetivos, valores e de propósitos. Eu acho que eu estava preparado, não com as respostas, mas com a disposição de correr atrás delas. Eu nunca deixei de olhar para a realidade desafiadora. Existe o ônus e o bônus de ser vice-prefeito. Bônus de poder tentar colocar em prática seus planos, e o ônus sempre esteve claro para mim.

– Qual seu papel na administração, além de ser vice com expectativa de, se preciso, assumir o cargo de chefe do executivo?

– Eu acho que o vice, de cara, muitas vezes tem que trabalhar muito em muitas frentes, no auxílio ao prefeito, desde substituí-lo quando se tem uma agenda que coincida, mas ser parceiro mesmo, conselheiro, dividir o fardo. Eu não tenho dúvida nenhuma que o papel dele é muito mais complexo, a responsabilidade é praticamente toda dele, os municípios não suportam que se tenha um papel simbólico. Eu vejo que o vice precisa ter um diálogo com a população, e é o que eu procuro fazer, que faça a mediação entre o povo e o prefeito. Tem sido muito prazeroso trabalhar com a equipe de secretários, onde não existe vaidade, mas sim cooperação de um ajudar o outro, hoje temos um time unido.

– Quais os principais problemas que a gestão enfrenta atualmente, fora a pandemia, é claro?

-A gente vive um momento único na cidade que é uma administração que foi reeleita, mas eu não deixaria de colocar as questões enfrentadas pelo Sérgio, na primeira gestão, com relação a questão financeira, a falta de diálogo com o governo federal. Iniciamos esta gestão com um governo que passou a nos receber, passou a dialogar. Para mim as maiores dificuldades são situações que a cidade vem carecendo, a gente tem grandes heranças para resolver, a questão do lixo, do monotrilho, pegamos a questão do transporte público, que são problemas herdados de longa data, que precisamos enfrentar. A pandemia, para mim, foi mais difícil. É preciso emocional para lidar com as perdas.

– O prefeito está impedido de disputar um novo mandato em 2024. Se o cavalo passar arreado perto, você monta?

– Como aconteceu de não estar aqui e a vida, o contexto, a situação convergiu para isso, acho que é natural você pensar que pode ser o sucessor do prefeito, mas com 7 meses de trabalho, indo para 8 meses, pensar em uma sucessão eu acho um erro estratégico. O que vai eleger alguém vai ser o trabalho que esta gestão vai fazer. No meio político as pessoas tendem a fazer essas suposições, mas a população, a cidade, quer saber do hoje. Como sou do esporte falo que precisamos viver este momento, o agora, fazer bem feito.

– Como você analisa os governos Jair Bolsonaro e Romeu Zema?

– Tenho que olhar para os dois governos sobre o mesmo prisma que olho para o nosso. De extrema dificuldade financeira, de fazer um balanço de readequação do que vinha sendo feito. A pandemia também precisa ser levada em conta, o governo federal que foi tão exigido, tão criticado, tão pressionado. Os três poderes, municipal, estadual e federal vivenciaram isto. Eu, enquanto gestor municipal, preciso pensar em bater na porta dos dois. Eu sempre vou olhar como gestor e meu relacionamento de necessidade da cidade. Independente de quem estiver na cadeira, ministro ou deputado, vamos fazer isso. Nas duas esferas temos sido recebidos, olhado e tratado de uma maneira diferenciada, para o bem.

– A história mostra que em diversas administrações o chefe do Executivo e o vice não se davam bem e se recusavam a dividir o poder. Qual o seu relacionamento com o prefeito?

– Nosso relacionamento tem sido o melhor possível. Tem que ser um relacionamento de parceria. Como venho do esporte eu trabalhei com seleções mineiras de basquete, onde eu era técnico e onde eu fui o assistente técnico, então eu penso que se o vice quer ser prefeito aí acaba gerando problema. Hoje eu tenho clareza da minha função e sou grata a ele pela oportunidade. Eu tenho tido autonomia, confiança e o mínimo que eu tenho que retribuir é com lealdade. O nosso relacionamento é muito bom, sentamos para planejar juntos, consultar, mas é claro que a decisão é dele e muitas vezes não vamos concordar com tudo, mas tem sido um trabalho de grupo.

– Quando você assumiu como vice como ficou sua vida profissional?

– Como eu não sou político, sou educador e professor de educação física, eu não quis fechar os meus vínculos. Eu continuo com um número mínimo de aulas, tanto no esporte quanto na escola. No Pelicano, onde eu trabalho há 27 anos, eu tenho um dia que dou aula no curso de formação de professores e na Caldense, onde trabalho há 26 anos, eu também mantenho. É o mínimo que posso fazer, porque não sei o dia de amanhã, então estou muito aberto para isso.

Como é seu relacionamento com a Câmara Municipal?

– É muito bom. Eu não tenho um relacionamento institucional, mas é de muito respeito, porque são poderes independentes e a democracia prevê e pede isso. Eu classifico como um bom relacionamento

– Uma das grandes reclamações da oposição na reunião da Câmara passada foi quanto a merenda escolar. Como está esta questão?

– Algumas coisas são morosas no poder público e não existe uma má vontade, um desinteresse da administração, estão sendo tomadas medidas para amenizar isso. Não vamos, de maneira nenhuma, nos furtar a questão, procuramos caminhos para atenuar esta demora, porque fome não pode esperar.

– Em algumas cidades com Andradas, Varginha, Guaxupé, as guardas municipais, que são mais novas do que a nossa, são armadas. O que se pensa para Poços?

– A questão da GM começa pelo efetivo. Têm pessoas que cobram um maior desempenho da GM, mas precisamos oferecer uma estrutura melhor para a nossa Guarda. Eu tenho conversado muito com o Rafael, secretário de Defesa Social, temos algumas referências de cidades que têm uma Guarda equipada. A nossa Guarda passa pela mudança de regime e pelo concurso, então a primeira coisa que precisamos fazer é a mudança de regime para que possamos ter um concurso e termos uma Guarda Municipal nova, diferente.

– Como a administração municipal tem lidado com o Plano Diretor?

– Estamos como estudos sendo feitos, apresentação de propostas, existia um caminho que estava sendo tomado num diálogo que estava sendo feito e o que a gente entende é que este plano precisa ser feito com imparcialidade, porque envolve interesse de muita gente. O plano está bem avançado nas conversas e devemos ter definições em breve.

– Sobre a licitação dos pontos turísticos já existe alguma novidade?

– Era objetivo da primeira gestão e agora estamos trabalhando forte nisso, por exemplo, é muito ruim ver o teleférico parado e nós não queremos isso. Temos tido movimentações na procuradoria e na secretaria de turismo e avançado. Inclusive há um diálogo com o governo do Estado neste sentido para mostrar a investidores que Poços é um bom negócio e temos tido interessados. Eu creio que vai ser um legado de nossa administração.

– Parece que existe interesse de fazer a licitação dos pontos turísticos agora separadamente.

– Em um primeiro momento é preciso se levar em conta o ganho e a dificuldade, o custo e benefício. Se é mais difícil você licitar todos os pontos em conjunto, o investimento neles, a outorga e o retorno para a cidade é maior desta forma. O que está sendo avaliado é essa possibilidade. O BDMG ele acredita, orienta e sinaliza a concessão de todos juntos. Pelas conversas do prefeito com o BDMG a licitação deve continuar conjunta e não separadamente.

– E quanto ao monotrilho?

– Existe um projeto, embora muita gente duvide, que vai ser colocado em funcionamentoe em prática. Existem estudos, análises e condições e o prefeito acredita muito em colocá-lo em funcionamento e para Poços seria uma referência nesta opção de mobilidade urbana. Se a gente pensar que no primeiro trecho ele sai do centro administrativo até o terminal rodoviário é uma opção de transporte que não vai sobrecarregar as nossas ruas. A idéia é ser uma opção de mobilidade. Existe um estudo de um grupo alemão mostrando que é financeiramente viável.