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O evento bolsonarista, realizado no último domingo em São Paulo, vem confirmar o que muitos analistas já diziam.

Primeiramente, segue firme a polarização política. O grande diferencial de oposição ao petismo continua a ser Bolsonaro. Ainda que não tenha, pessoalmente, viabilidade eleitoral, teria conseguido reunir entre 185 mil pessoas (segundo o monitor, da USP) e 600 mil (segundo a Secretaria de Segurança Pública).

Em segundo lugar, o aparecimento de uma eventual “terceira via” vê-se ainda comprometida. Especialmente, pelo fato de não revelar substancial articulação ou alguma liderança que possa representá-la a contento. Alguém se lembra de Simone Tebet? Quem? Poisé…

As dificuldades decorrentes desse quadro são as mesmas de sempre, o que sugere a continuidade do impasse político que vivemos, há anos. Nada de novo no front.

As adesões políticas, derivadas desse tipo de polarização, levam a um tipo de mobilização que não se intimida facilmente. As convicções estariam acima das ponderações. As pessoas têm suas próprias narrativas e são refratárias a qualquer tipo de contestação. Venha de onde vier.

Seriam, como diria Thomas Hobbes, em “O Leviatã”, as paixões e interesses agindo simultaneamente. Ninguém segura.

O discurso dissonante ficou por conta de Michele Bolsonaro, a “primeira dama” do Bolsonarismo. 

Além de “falar em línguas”, nos cultos evangélicos, prega uma mistura de “política e religião”.

Essa senhora talvez não conheça os exemplos históricos, derivados desse tipo de conduta. Os aiatolás, do Irã, ou os talebans, do Afeganistão, talvez pudessem lhe explicar como se faz isso, em níveis notáveis.

(Marco A. Adere Teixeira – historiador, Advogado e Cientista Político)