Atitude antidemocrática

A não ser que tenha recebido orientação expressa do prefeito Sérgio Azevedo, para abandonar a audiência pública de segunda-feira, quando estava em discussão a base de cálculo para reajuste dos tributos municipais, logo após a sua fala, não existe justificativa para a atitude do Procurador Geral do Município, Fábio Camargo, em ter deixado o assento na mesa que presidia a audiência, alegando que tinha outro compromisso a cumprir.

As críticas ao Procurador pela ausência, feitas até mesmo por seus colegas de secretariado que estavam presentes e pelo líder do governo, Antonio Carlos Pereira, a sua lamentável atitude, colocam o Procurador numa posição constrangedora, uma vez que ele estava ali como peça fundamental para a defesa da administração e dos cálculos feitos para as alterações introduzidas na cobrança dos tributos, que, segundo ele, estão todas amparados em parecer jurídico. As mudanças feitas no IPTU, principalmente, descontentaram cerca de sete mil proprietários de imóveis que tiveram o imposto reajustado muito acima da inflação, alguns até em mais de 100%.

O “papelão” que o Procurador aprontou ao abandonar a discussão na metade, fica ainda mais grave quando se sabe que o representante da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB), subseção de Poços de Caldas, da qual o Procurador já foi presidente, estava presente na Câmara para falar sobre o assunto e já havia antecipado, que a OAB se dispõe a judicializar a questão caso o prefeito não volte atrás na forma de cálculo utilizado para atualização do valor venal dos imóveis. Só não o fez antes porque esperava que durante a audiência, a administração anunciasse o cancelamento dos reajustes para novo estudo.

Para muitos, o imbróglio criado pelo aumento excessivo em milhares de carnês, coloca o prefeito em uma situação complicada e provoca um desgaste que será difícil de ser revertido até a eleição quando ele pretende disputar um segundo mandato.

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