Ainda há muito a fazer

Seria injusto dizer que o prefeito Sérgio Azevedo não se esforça para fazer um bom governo e com isso corresponder a confiança que os eleitores depositaram em seu nome na eleição de 2016, quando sua vitória nas urnas significava a esperança de uma retomada gestão mais profissional e menos amadora como foi a dos seus dois antecessores. No primeiro discurso, após ser proclamado eleito, Sérgio declarou que empossado no cargo de prefeito não mediria esforço para repetir a boa gestão do seu colega de profusão, o engenheiro civil, Luiz Antonio Batista (1993/1996).

Passados dois anos e alguns meses já é possível afirmar que apesar do esforço pessoal, e da sua dedicação durante as 24 horas do dia à frente do executivo, a possibilidade de alcançar o objetivo traçado, fica cada vez mais distante.

Lembro que antes mesmo de assumir o cargo, ele disse a este jornalista que estava consciente da responsabilidade delegada a ele pela maioria dos eleitores que era recuperar a cidade e a credibilidade de Poços de Caldas, não só como a maior, mas também a mais progressista cidade da região sul-mineira. “Não posso errar”, disse, “a população confia muito no meu trabalho”, completou.

Há a falta de representação na Assembleia Legislativa, assim como na Câmara Federal, colaborou para os tropeços neste período de governo, embora Luiz Antonio tenha enfrentado o mesmo problema na sua gestão. O calote aplicado pelo governador Fernando Pimentel, que deixou de repassar ao município dezenas de milhões à prefeitura também atrapalhou, embora o DME tenha transferido para o município nos últimos dois anos 100 milhões de reais, portanto, mais do que o governo deixou de repassar.

Vale ressaltar também os equívocos cometidos pelo chefe do executivo que montou uma equipe com pessoas inexperientes e logo no início do mandato repetiu o mesmo erro dos seus antecessores Paulinho Courominas e Eloisio Lourenço, ao conceder reajuste acima da inflação para o funcionalismo.

Errou mas não foi por falta de aviso, foi alertado que o reajuste concedido significava um gasto superior a R$ 150 milhões durante o seu mandato. Fora isso comete um equívoco também em governar sozinho, trocando ideias só com o travesseiro na hora de dormir. Já o ex-prefeito Luiz Antonio, além de uma equipe de assessores de melhor nível ainda dava abertura para receber sugestões e críticas, tanto assim que no segundo ano do mandato demitiu alguns “figurões” que tinha convidado para a equipe de governo que não se adaptaram ao serviço público.

Seu sucessor Geraldo Thadeu passou pelo mesmo problema, também no segundo ano do mandato e agiu da mesma forma, dispensou vários secretários e promoveu uma reforma administrativa que o livrou de um impeachment e consagrou sua administração, fazendo com que se elegesse deputado federal com uma votação recorde na estância.

Sérgio já poderia ter feito uma reforma nos cargos de confiança, dispensando algumas peças do governo que não funcionam e as substituindo por pessoas com maior experiência e conhecimento da máquina pública. Infelizmente, apesar de ter nomeado uma comissão para estudo dessa reforma, ao invés de demitir, aumentou a equipe de governo.

Mesmo participando de tudo e se esforçando ao máximo para reverter a situação, o prefeito já não consegue disfarçar o cansaço e o ar de desânimo por conta do pouco tempo que resta para recuperar o capital politico que conquistou na eleição e perdeu ao longo do mandato.

Em todo caso, nossa torcida é para que consiga dar a volta por cima, embora isso só possa ser possível se o governo realizar as obras e as ações de governo que a cidade necessita, a começar pela recuperação da malha viária, totalmente sucateada, a aprovação do novo Plano Diretor, assim como colocar em prática um Plano de Mobilidade Urbana de verdade, porque o apresentado pela Unifei não passa de uma piada de mau gosto que custou R$ 600 mil aos cofres municipais.

Além disso o chefe do executivo tem pela frente a licitação do transporte público que pode lhe render muita dor de cabeça, aliada a solução do Monotrilho, uma bomba que levou para dentro do governo, iludido por alguns sonhadores, tal como o projeto de transformação dos trailers de lanches em quiosques, construção de uma ciclovia ligando as zonas oeste a sul, passando pela área central.

E tem ainda para resolver, os alagamentos do Jardim Kennedy, encontrar a solução para lixão, ou melhor, aterro controlado, concretizar a mudança no regime jurídico dos servidores e clarear o imbróglio criado com vaivém do IPTU, ITBI e outros impostos.

Como conselheiro-mór do alcaide, seu travesseiro tem uma missão que pode ser considerada atrevida, é dizer ao chefe do executivo que mesmo fazendo o que é possível, isso ainda é pouco diante de tantas problemas que continuam sem solução. Como dissemos neste mesmo espaço antes de o prefeito tomar posse, quem diz muito sim no início, corre sério risco de receber um não no final do mandato.

Tomara que que isso não aconteça, até porque o prejuízo seria coletivo, de toda a população. Ao contrário do que costumam dizer alguns assessores pendurados nos seus empregos, nem sempre quem critica torce contra o governo. Da nossa parte torcemos para que dê certo, afinal de contas, os governantes passam e a cidade permanece.

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